sexta-feira, 1 de abril de 2011

Relatório de 1 de Abril de 2011

Por Ana Beatriz Albuquerque Almeida e Mayara Souza da Silva


Após  a presença confirmada dos relatores, o professor Babi dá início às atividades
do dia comentando  que teremos dois momentos interessantes na aula, dois relatórios
sobre a aula passada e o seminário sobre Pesquisa-ação. Em seguida conta-nos que
demorou quarenta anos para descobrir que no dia primeiro de abril, considerado o dia da  mentira, podemos fazer algo melhor neste dia, aprendeu com uma pessoa próxima que  tornou este o dia de uma grande verdade.

O professor Fonteles  se lembra de já termos falado sobre pesquisa-ação e pesquisa
participante na aula anterior, ambas são parecidas, porém distintas, cada uma com suas  especificidades e compreendê-las desde agora é um exercício de extrema importância,  é um bom caminho para a formação  acadêmica, pois dois sinais de maturidade que o pesquisador demonstra na apresentação do seu trabalho é  a clareza do que se trata a pesquisa e dos procedimentos metodológicos usados.

Os relatórios das aulas são lidos pelas duplas responsáveis, o primeiro, de Andressa e Danielle, em seguida o relatório de Jane e Lycélia. Em seguida a sala é questionada se há comentários. Babi  explica que o comentar é um exercício de concentração em algo, pensar sobre o assunto, o exercício do comentário possui funções importantes, a primeira é estar atento aos fatos; a segunda é criar, pois comentar é o primeiro passo para pensar com suas próprias ideias,  são palavras suas sobre o texto do outro, isso me  permite uma diferenciação dos outros, não ser apenas um discípulo apaixonado pelos seus mestres, Marx, Levi Strouss, talvez Nietzsche, mas ir além, ter seus próprios pensamentos e este exercício nos remete uma autonomia, dessa forma nossa passagem não será esquecida, perdida no meio da multidão. George toma a palavra parabenizando as equipes, principalmente pela atenção aos detalhes, pois lembrou as discussões anteriores que o estimulou para as discussões seguintes. Kércio exalta a participação de duas equipes como forma de enriquecimento dos olhares. Thamila  coloca que o relatório remete ao tempo, lembrando suas leituras  sobre Cronos e Aion, não apenas o tempo cronológico, mas a intensidade dele, o tempo que se materializa. Íria pensa o relatar como um recorte, uma fotografia, algo capturado no ambiente aula e com duas equipes temos fotografias diferentes, no olhar, no compartilhar.  Andressa expõe a densidade do texto e do seminário da aula anterior, pela quantidade de comentários, o que  exigiu grande  esforço na escrita e condensação do texto. Babi comenta que a densidade da aula se reflete na densidade dos relatórios.

Ainda há uma terceira ressalva sobre o ato de comentar, o professor diz que tem coisas que chegam até nós como  um clarão, um raio e jamais  nos esqueceremos delas.
Temos a impressão de que descobrimos coisas sobre o ser humano, mas não descobrimos, nós inventamos sobre o homem, as ciências humanas são criativas, antes de Freud falar sobre o inconsciente, não sabíamos sobre o assunto, hoje  todos temos um inconsciente, criamos métodos para acessar o que antes nem existia. As classes sociais não existiam antes de Marx, cada um destes autores são criadores, artistas que elaboram imagens sobre o que é o homem, dessa forma para que tenhamos uma noção clara do fazer, do criar no mundo, precisamos estar atentos.  No terreno das ciências humanas o problema não é a verdade e sim a criação, todos os livros não passam de comentários sobre o homem.

A questão da autonomia, não como um acúmulo de idade ou bens materiais, mas como algo presente nas nossas relações, é recolocada por Babi em um pedido de aprofundamento do conceito nos relatórios lidos.

A equipe composta por Andressa, Beatriz, Mayara e  Shyrlane dão início a apresentação do seminário sobre a metodologia da pesquisa-ação. Passados trinta
minutos de apresentação o professor interrompe e convida o grupo a sintetizar o
assunto, para que ainda haja tempo para discussões posteriores.

Após o fechamento do seminário, Babi solicita que os comentários se direcionem ao conteúdo da pesquisa-ação, a partir do que foi exposto pela equipe. George cita a questão da participação dos autores e lembra de uma leitura no qual considerava os participantes como autores e não  como atores, através de uma interlocução e fica em dúvida sobre a pesquisa-ação ser um método e não uma metodologia. Shyrlane expõe
sua opinião, dizendo que tais nomenclaturas variam de acordo com a pesquisa e

Andressa complementa falando de grupos de estudos, uma união entre ambos. Para responder a indagação de George, o professor  cita Foucault, no qual pede para “rachar” as palavras, procurar outros sentidos. Na visão de Thiollent, o método possui um sentido mais amplo e a metodologia seria um instrumento, divergindo de nossa língua portuguesa, onde os significados se invertem. O professor faz uma analogia às peças de teatro, no qual o autor  possui um papel primordial e os atores são de grande importância e vê os participantes não somente como atores, mas também como autores.

Kércio enxerga as minorias que são desprovidas de poder, que entram em destaque na pesquisa-ação e o enfoque da transformação. Babi pergunta se a turma identifica algumas correntes neste tipo de pesquisa. Gabriela percebe o marxismo, no qual vai a campo para levar luz a estas pessoas, o pressuposto é romper a racionalidade de usar o outro como objeto e passar a vê-lo como sujeito, ou seja, há uma mudança de
perspectiva. Fonteles fala do ideal da leitura do texto completo, não fazendo uma leitura apressada.  Tem como enfoque  no texto o indivíduo não como objeto, mas como sujeito ativo e  o pesquisador não é o intelectual. Os objetivos não estão definidos, a pesquisa diz respeito a uma situação real que sugere uma transformação, pois as pessoas envolvidas se sensibilizam, porque toca algo referente a vidas delas. Ação e democratização estão relacionadas. Ressalva que o marxismo é um dos pilares da pesquisa-ação, é uma atitude de discernimento, há alguns pontos, não todos, que embasam a pesquisa. O professor interroga qual a categoria do marxismo  está  presente.

Gabriela  salienta que a grande base a se pensar é a noção do sujeito, através da dialética. O professor fala que é algo mais simples. A palavra ação, no sentido marxista, aparece como  práxis, uma ação que não pode ser outra senão transformadora da realidade. O sujeito produz pela práxis, é a ação do sujeito no mundo.Shyrlane pergunta a Babi se a pesquisa-ação pode ser considerada uma pesquisa normativa, este responde a dúvida conceituando a normatividade, são categorias vinculadas aos autores e épocas que estão constituídas. Se for considerar a perspectiva de cientificidade, a pesquisa-ação além da transformação e produção de conhecimento, possui um rigor, é preciso  esclarecer como chegou e como foi feita, uma revelação da receita como de fato foi procedida.

Paulo Henrique indaga como se dá a participação coletiva e o que seria o método.
O professor destaca o método como dispositivo e enquanto dispositivo o papel do seminário é o primeiro lugar onde o coletivo se apresenta e todos tem o poder de construir a pesquisa, colocam-se à disposição, diz a realidade para o coletivo, apresenta o necessário para se transformar, além de planejar o diagnóstico. Babi  faz uma alusão citando sua pesquisa,  onde apresentou uma  proposta  de um curso  para docência em uma comunidade  indígena.

Beatriz aproveita a ressalva de  Babi e diz que se perguntou se a metodologia usada por Babi na pesquisa com os índios de Almofala foi do tipo pesquisa-ação, o professor  responde que sua pesquisa teve nuances de etnografia e  pesquisa-ação, mas não especificamente, pois não houve os seminários de maneira formalizada como  deve ser na pesquisa-ação.  Criou sua própria metodologia que a batizou de “uma descrição densa de uma experimentação intensa”, um link que abrange um conjunto de categorias sobre metodologia, dialoga micropolítica, antropologia um “enrabamento”, como dizDeleuze.

Em seguida Paulo Henrique lança uma dúvida sobre a diferenciação entre pesquisa participativa e pesquisa-ação, então o professor esclarece que nem toda pesquisa participativa é pesquisa-ação ou pesquisa intervenção, a pesquisa participativa não é pesquisa-ação quando não promove o seminário. George lança uma pergunta a respeito da elaboração do problema na pesquisa, se ele também será definido de maneira coletiva ou pelo pesquisador,  complementado algumas falas expostas por integrantes da equipe do seminário, o professor esclarece que o pesquisador chega com suas ideias, monta um seminário e diz que a escuta é essencial para afinar o dispositivo, pois o sujeito que está inserido naquele meio tem um olhar mais refinado da situação, dessa forma não há uma atitude autoritária por parte do por parte do especialista, isto não é um problema de cunho político e sim epistemológico.
Marçal complementa a discussão lembrando do conceito de ação comunicativa de
Habermas, Íria acrescenta dizendo que vê a presente na questão do consenso, da
argumentação uma intersubjetividade. O professor confirma as observações afirmando a possibilidade de encontrar Habermas, fala também que com a pesquisa-ação, se tudo der certo veremos que o conhecimento é uma produção social, que ele só se deixa conhecer se houver a intervenção  numa dinâmica, pois o social é problemático, quer conhecê-lo então o transforme.

Sobre os comentários a respeito da apresentação Paulo Henrique comenta a respeito da dinâmica da apresentação, na qual a equipe mostrou-se firme, interagindo bem. Thamila também fala da dinâmica da apresentação, que não foi enfadonha, tanto que não percebeu o tempo passar e George diz que o assunto foi muito bem exposto e o ajudou a encaixar suas ideias.

Professor Fonteles esclarece que a maior parte das pesquisas não transformam a vida das pessoas, pois ainda temos a concepção de que elas descrevem o homem, herança da lógica positivista onde conhecer é descrever, ainda estamos simplesmente
produzindo os fenômenos e não os transformando. O professor da um fechamento da aula do dia mencionando o texto da aula seguinte sobre pesquisa audiovisual, qual o lugar do som, das imagens e da linguagem nas pesquisas em ciências humanas;  lembra dos próximos relatores, Kércio e Paulo Henrique, Beatriz e Mayara e diz a turma que na aula seguinte iremos falar sobre os projetos de pesquisa. Sem mais considerações encerra-se a aula do dia primeiro de abril às nove e meia, devido a ausência de intervalo.

Relatório de 1 de Abril de 2011

Por Túlio Kércio Arruda Prestes


Babi, após saudar a turma, inicia a aula fazendo referência ao dia da mesma. O 1º de abril, popularmente conhecido como o dia da mentira, pode segundo ele ser o dia da grande verdade, possibilidade que aprendeu com um grande amigo seu. Em seguida, relembra os assuntos estudados na aula anterior e antecipa o que será tema da aula referida, a saber: discussão sobre a metodologia da pesquisa-ação, as propostas de projeto de pesquisa envolvendo questionamentos como “o que pesquisar?” (apresentação do objeto), e “como proceder?” (procedimentos metodológicos).
                Posteriormente, Andressa lê o relatório da aula anterior feito em conjunto com Danielle. Terminada a leitura do trabalho da dupla, mais um relatório é lido, este feito por Lycélia e Jane. Ao fim da leitura dos relatórios, Babi sugere que comentemos os mesmos. Após um longo silêncio da turma, o professor faz algumas reflexões sobre a importância desse ato de comentar. Babi nos fala que comentar é estabelecer uma conexão com o momento vivido, comentar é se concentrar a algo, permitir-se. Sendo este um exercício que vai além de uma mera vontade de falar sobre algo.
Babi fala que há três funções no ato de comentar. A primeira estaria relacionada à possibilidade de marcar a própria passagem, à medida que através do comentário podemos deixar nossos grifos. Comentar poderia ainda ter uma segunda função: ser um exercício, um primeiro passo, para um dia chegar a criar. É esse exercício de comentar a palavra dos outros que permite a própria diferenciação, e para, além disso, ter a própria voz, o próprio pensamento. Comentar é, pois, em última instância afirmar-se vivo. O professor então pede aos estudantes que comentem inclusive o que acabou de afirmar.
George inicia falando que aprecia o relatório como um mecanismo para a retomada de discussões das aulas anteriores, e o quanto é importante para pessoas que não puderam comparecer a aula. Kércio fala que é interessante a construção de um relatório feito por duas equipes, ou seja, um relatório escrito por oito mãos, de um momento que foi construído por tantas outras. Thamila fala em materializar o tempo, esse tempo que foi vivido por nós e que agora é materializado em palavra. Íria fala que o relatório é uma espécie de fotografia que é totalmente dependente do olhar do fotógrafo em questão.
Andressa então comenta sobre sua experiência na construção do relatório, falando-nos da intensidade da aula trazida no mesmo e do esforço para condensar todas as ideias debatidas. Ressaltou ainda a dificuldade de vivenciar e descrever ao mesmo tempo, refletindo que através desse exercício percebeu uma densidade maior nos debates referidos.
Sobre essa experiência compartilhada por Andressa, Babi afirmou que a palavra falada é mais livre, enquanto que a escrita parece ser mais normativa, e sobre essa espontaneidade da fala ressalta como o mecanismo de gravar as aulas pode ser um recurso interessante. Fabrício prossegue comentando sobre os relatórios dizendo ter visto diferenças entre os mesmos. Afirma que os dois se complementam, pois enquanto um valorizou mais especificamente os debates suscitados pelos seminários, o outro valorizou a apresentação do conteúdo, e a visão do autor.
O professor discorre da nossa necessidade de dar vazão a tudo o que construímos durante a aula, em um momento que pode passar de maneira veloz, mas que nos marca profundamente. Babi diz que percebeu essa característica nos relatórios trazidos pela turma devido a quantidade de vírgulas contidas, o que demonstrava uma certa sede por escrever.
Babi então fala que nas ciências humanas nós não descobrimos nada sobre o homem, à medida que este não é uma verdade a ser desvelada. Pelo contrário, compomos, instituímos e inventamos esse homem. Para ilustrar, o professor cita o exemplo que antes de Freud falar sobre o inconsciente não fazia falta, simplesmente não se falava sobre isso, entretanto hoje já conhecemos técnicas, métodos para conhecer essa invenção genial de Freud.
A outra invenção deu-se o nome de classes sociais, e que depois de Marx se institui o homem em classes e daí advém inclusive projetos para transformar essa realidade, cria-se assim idéias que intervém no mundo. Ressalta, porém, que não há como criar sem concentração, é necessária uma atitude diferente, pois cada experiência pode servir de estímulo a criação se pudermos aproveitá-las.
Ainda comentando os fichamentos, o professor pede que os discentes aprofundem o conceito de autonomia, já que este é um conceito extremamente caro à própria vida. O professor Babi então explica que a autonomia não se trata de um recipiente em que se acumula maturidade, por exemplo. A autonomia se expressa em uma relação de forças entre indivíduos e/ou grupos. Para encerrar, Babi reforça a ideia de que a terceira dimensão do comentar é justamente inventar, e em se tratando de ciências humanas, instituir o homem, inventá-lo. Uma tese de doutorado é, dessa forma, um comentário, mas não uma verdade. Nas ciências humanas a paixão não deve voltar-se para a verdade, mas para as criações.
Com o fim dos comentários acerca dos relatórios, dá-se inicio à apresentação do seminário, o qual a equipe composta por Beatriz, Mayara, Andressa e Shyrlane ficou sendo responsável por facilitar a discussão a respeito da metodologia da Pesquisa-ação.
Logo após a exposição, George fala especificamente da palavra “ator”, presente no texto apresentado, e ressalta que em sua opinião na pesquisa-ação, os participantes não são “atores”, mas de fato “autores”. George acrescenta que não conseguiu compreender a distinção entre metodologia e método. Babi então expõe que esses termos (método e metodologia), são diferentes no francês já que neste idioma o conceito de método é mais amplo do que o de metodologia.
Seguindo a dúvida de outros alunos, quanto a termos ou a expressões utilizadas pelo autor do texto em debate, Babi, fala da importância de contextualizar os conceitos por seus múltiplos significados e, citando Foucault, acrescenta sobre a necessidade de “rachar as palavras”.
Paulo Henrique pergunta a respeito de como se dá a participação dos pesquisados em uma pesquisa intervenção. Babi responde que enquanto dispositivo o seminário é um dos lugares onde todos têm o poder de construir de forma coletiva e dialógica os rumos da ação. Comentando sobre a sua pesquisa de doutorado, o professor nos fala que de início achava que estava fazendo algo semelhante a uma etnografia ou a uma pesquisa-ação, mas depois se deu conta de que o que realmente estava fazendo era inventar uma metodologia própria, que consistia em “uma descrição densa de uma experimentação intensa”, na qual dialogava com a análise institucional, a micropolítica, a cartografia e até a antropologia, sendo que nessa última área dizia estar muito mais “pervertendo” algumas teorias.
George, referindo-se a pesquisa-ação, pergunta se a formulação do problema é construído coletivamente ou se o pesquisador é um “impulsionador” das ações. O professor então diz que o pesquisador até pode propor algo aos sujeitos da pesquisa, já que este não está isento de sugerir ações, mas que nesses espaços o fundamental é desenvolver a escuta para afinar o dispositivo seminário já que é por meio deste que é constituído o problema de maneira coletiva. Marçal aponta aproximações da pesquisa-ação com a ética do discurso proposta por Harbermas. Íria então completa comentando que também notou tais semelhanças, citando que nas duas conjectutas visa-se um exercício de intersubjetividade entre todos os envolvidos.
Concordando com os discentes, Babi comenta que na pesquisa-ação o conhecimento é uma produção social, coletiva, sendo inclusive desnecessário a divisão saber formal/informal. O social só se deixa conhecer através da intervenção, entretanto, o professor conjectura, em um tom de lamento, que apenas 90% das pesquisas que foram feitas sobre o ser humano não se dispõem a transformar a vida das pessoas, pois ao que parece esses pesquisadores conceberam que estudar o homem não é intervir de maneira conjunta, mas simplesmente descrever um fenômeno.
Ao longo de toda a aula compreendemos que nas ciências humanas só conseguimos conhecer à medida que intervimos, transformamos e obrigatoriamente inventamos, produzindo assim um conhecimento que é metafórico e que tenta capturar o que está em pleno movimento, daí porque essas imagens são sempre um tanto “borradas” e sempre contingentes. É então nesse sentido ao mesmo tempo dinâmico e inventivo da produção de conhecimento que encerro este relatório não com um ponto, mas com uma vírgula.

Relatório de 25 de março de 2011

Por Andressa e Dani
O professor inicia a aula comentando sobre o semestre que já está bastante adiantado, salientando, que quanto maior a demanda de atividades, temos a impressão de que o semestre está caminhando mais rápido. Após isso, o professor começa a ler um trecho do texto gerador do seminário do referido dia, em cima disso, Babi fala do seu trabalho como formador de Psicólogos para a academia e para a vida, motivado ainda pela citação lida pelo mesmo.
Babi refere-se à quarta turma de Psicologia como uma das mais pontuais da academia, no entanto, comenta a tradição de etiqueta no âmbito da pontualidade, aconselhando à todos que cheguem no máxima na hora marcada de seus compromissos ou ainda dez minutos antes. Seja para eventos formais ou informais, sendo esta uma questão de generosidade com o outro, salientando que, em uma instituição de educação superior é essencial à pontualidade.
Em seguida o professor pede que os relatores se apresentem; os relatores são George Luís e Sophia Rodrigues. Logo após a leitura do relatório Babi pede à turma comentários sobre “a fotografia feita de palavras” exposta pelos estudantes. O primeiro a comentar é Paulo Roberto, que diz que embora o relatório fosse longo, a leitura feita por George nos convida à uma compreensão maior daquilo que está sendo lido. Babi complementa o comentário do estudante afirmando; “fazer ciências humanas é fundamentalmente escrever, falar e pensar”, destacando a importância de se portar bem no âmbito desses três aspectos. Martônio, que havia faltado na aula anterior, diz que se sente satisfeito, destacando a gramática, a coesão do texto e a localização das ideias. O professor lembra que as falas dos colegas fazem recordar de Nieztsche, que foi um dos pensadores mais importantes do mundo da filosofia, considerando este como um artista do pensamento, sua formação em filologia, fez com que dominasse não só o alemão, mas também outras línguas, reforçando ainda que fazer ciências humanas é possuir uma relação direta com a palavra: pensada, falada e escrita. Encerrados os comentários sobre o relatório, Babi relembra a proposta de gravar as aulas, sendo esta mais uma ferramenta de ensino, e considera as aula como um momento de criação, em que nenhuma é igual a outra, umas melhores e outras nem tanto. Cita ainda Freud, relembrando as longas análises feitas pelo estudioso. George complementa que a experiência de escrever um relatório e que o mesmo “se apresenta como um desafio, um desafio passar de maneira mais clara para os colegas, aquilo que é processo de continuidade para a disciplina”.
Após o momento dos comentários, o professor recorda que alguns alunos ficaram responsáveis por pesquisar os temas relacionados ao estruturalismo e pós-estruturalismo. Thamila fala que a pesquisa a deixou com alguns questionamentos, trazendo um material para debate em sala de aula. O texto referido é do livro de Michael Peters “Pós- estruturalismo e Filosofia da diferença – Uma introdução”. Após a leitura das considerações o professor pede que mais pessoas argumentem sobre os temas.
George comenta sobre as semelhanças entre o positivismo e o pós-estruturalismo, destacando que o que foi dito é de extrema complexidade. Babi diz que o tema é denso e que devemos fazer um pacto para estuda-lo, já que compreender o estruturalismo e o pós-estruturalismo é importante para entender que tempo é esse que vivemos. O professor resume em uma frase simples que o estruturalismo vem nos fazer pensar sobre a estrutura de todas as coisas e que é o pesquisador dá sentido às mesmas, o que torna essa concepção difícil por termos vivido séculos apoiados na filosofia, metaforicamente Babi diz que devemos respirar fundo e aprendermos a ser bilíngues de pensamento para sentirmos a vertigem sem cair no abismo, e que para compreender tudo isso devemos ser pessoas corajosas, generosas e apaixonadas.
Posteriormente, o professor pede para que os presentes comentem os frutos das assembleias a respeito do Serviço de Psicologia Aplicada - SPA. Paulo Henrique e Gabriela destacam que a assembleia de sexta-feira foi um preparatório para o ato de manifestação dos estudantes de psicologia que ocorreu no dia 23 de março de 2011, sendo que a mobilização dos estudantes não encerraria as movimentações sobre os andamentos do SPA. Kércio e Paulo Henrique comentam também do ato que aconteceria no Beco do Cotovelo no sábado dia 26 de março as oito da manhã. Babi pergunta se as informações sobre a mobilização estão sendo divulgadas e propõe que se faça um mural com a agenda de informações sobre o que está acontecendo no movimento, salientando a importância dos professores, para que os mesmo possam se somar ao ato, já que os discentes são aliados dos estudantes. O mesmo ainda disponibiliza as aulas como um espaço de conversa sobre o movimento dos estudantes de Psicologia.
Passado a discussão sobre o SPA, Babi inicia os pronunciamentos de informes gerais para a turma. Começa convidando a todos que se sentirem chamados a participar da reativação do seu projeto de extensão, que outrora, estava desativado, lembrando que o candidato deverá passar por um processo de seleção simples e padrão. Pergunta aos presentes se há mais algum informe, e Adriane Cisne, lembra-se da segunda chamada da disciplina de Ética e Psicologia. Encerrados os avisos importantes, o professor, convida a turma e os seminaristas daquele dia a começarem suas atividades.
A turma recebe os seminaristas com aplausos. A equipe composta por Everton Maciel João Filipe e Vicente André apresentou o texto intitulado “Pesquisa-Intervenção e a produção de novas análises” das autoras, Marisa Rocha e Kátia Aguiar. Após a apresentação do seminário, o professor decide modificar a tradicional rotina de comentários. Decide então, pedir à turma que discutam o texto em questão, deixando os comentários de avaliação para o final da discussão.
Paulo Roberto comenta sobre a postura dos seminaristas, elogiando todos da equipe, falando de cada um em suas peculiaridades. Maria Júlia fala do quanto foi clara a exposição do seminário, destacando o fichamento bem estruturado e a participação ativa dos seminaristas. O professor relembra que o que foi feito anteriormente tratou-se de comentários de avaliação, pedindo que, nesse primeiro momento se retornasse a discussão sobre o texto gerador do seminário. Reforçando, assim, a importância da leitura do texto anterior ao momento da aula por todos da turma, e não somente, pelos seminaristas. Colocando desta maneira uma nova diretriz para a real proposta do seminário, que é, a discussão dos temas relacionados à disciplina em sala de aula.
Paulo Henrique, retomando a discussão sobre o texto, trás a tona o paradigma proposto pelas autoras, “conhecer para transformar, e transformar para conhecer”, complementado o comentário feito pelo estudante, Babi questiona se ele já percebe um “link” entre o estruturalismo e o tema proposto pelo paradigma. Destaca que na matemática é usado o símbolo “aproximadamente” o que nas ciências exatas já se torna de difícil compreensão de alguns conceitos, o “aproximadamente” em ciências humanas é ainda de maior incompreensão. George afirma que os temas utilizados no texto são instigantes, voltando-se ao fichamento para pontuar algumas considerações. Gabriela ressalta as posturas marxistas e positivistas presentes no texto, afirmando que a produção de conhecimento em psicologia é uma relação entre sujeitos. O professor completa os comentários anteriores, reforçando que os mesmos são essenciais para a compreensão do pós-estruturalismo.
Retoma o conceito de autonomia, referindo-se ao mesmo, como um dos mais difíceis conceitos de compreensão da sua produção acadêmica. Babi recorda que sempre andou junto com as abordagens humanistas, tentando “respirar” algo diferente, já que em todos os lugares do mundo se ecoa sempre as mesmas vozes. Retorna ao conceito de autonomia, como sendo um fruto da acumulação do sujeito ao longo de um processo. Afirma que, para sabermos se um grupo é autônomo ou não, é necessária à anulação das forças que o circundam, e nos voltarmos para a função em uma relação. Cita então, o exemplo de um chefe de família que abusa de sua esposa, mas, que, em seu trabalho é humilhado por suas condições de operário.  A autonomia, portanto, é tratada como uma relação. É bem dito pelo professor, que se soubermos utilizar o conceito de autonomia como uma função poderíamos mudar uma grande esfera das nossas vidas, na academia e fora dela.
O professor Fonteles prossegue afirmando que a autonomia é fruto deste conjunto de relações, sendo considerada, portanto, uma relação. O mesmo esperava que o comentário sobre autonomia causasse mais impacto. Em referencia a Foucault, diz que o poder destrói, mas, no entanto, cria, e ai é que esta a potencialidade da criação. Faz uma crítica a aqueles que não conhecem os estudos de Nietzsche, e sem o conhecer, o chamam de niilista. Babi afirma que estas pessoas não passam de papagaios possuidores de conhecimentos enciclopédicos. A autonomia esta diretamente ligada às potencialidades humanas da vida, em uma relação, sendo que a libertação é para todos ou para ninguém.
Encerradas as discussões sobre o texto, o professor retorna, ao modelo avaliativo do seminário apresentado. Marçal fala positivamente do seminário, dizendo que mesmo sem o uso de PowerPoint a equipe soube posicionar-se muito bem, fugindo dos modelos clássicos de apresentação de seminários. Thamila relembra que a discussão foi puxada pelos seminaristas e pelo texto apresentado, o que foi de grande relevância para a aula. Paulo Henrique, afirma que a aula pode fluir, pois ocorreram debates intensos e uma boa participação da turma.
Lívia acrescenta que no seminário apresentado ocorreu uma diferenciação em diversos aspectos; a participação dos seminaristas, dos estudantes e do professor. Onde ouve um desejo de criar um bom debate em torno da aula. Como complementação ao comentário de Lívia, Babi, afirma que somos estimulados a todo o instante, e que devemos sempre nos estimular tanto para o amor como para o conhecimento. Ressaltando que nos estimulamos quando nos preparamos, e, essa mesma preparação, é a essência de um bom posicionamento em sala de aula.
Kércio diz que a aula foi de extrema importância para o momento que os estudantes de psicologia vivem hoje; os intensos debates sobre os direitos dos estudantes e o fortalecimento do Movimento Estudantil. Flávia afirma que o texto é bem realista e que acha o mesmo menos complexo e de uma maior facilidade de discussão e elogia a equipe de seminaristas. Babi diz que o texto da aula de hoje, deve ser guardado para futuras consultas e possíveis duvidas sobre as discussões sobre Pesquisa Qualitativa.
Terminadas, portanto todas as pontuações, Babi Fonteles, volta-se para a explicação do modelo de projeto de pesquisa que deverá, ser feito por todos os estudantes. E que devemos atentar para os seguintes posicionamentos; a escolha do objeto de investigação, a construção deste objeto e a aplicação deste a realidade através dos recortes elementares para a saída do modelo empírico ao teórico.
Após tudo isso, e terminados os esclarecimentos, o professor agradece a presença dos estudantes e encerra pontualmente a aula às 21h30min, pois não ocorreu intervalo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Relatório de 18 de março de 2011

Por George

Iniciamos a aula com a presença do aluno Ian solicitando ao prof. Babi que a aula fosse suspensa por conta da reunião dos estudantes que aconteceria naquela mesma hora, onde haveria um debate a respeito do processo de construção do S.P.A. (Serviço de Psicologia Aplicada).
Mesmo entendendo a proposta e demonstrando total apoio à organização dos estudantes, prof. Babi não acata ao pedido do aluno por conta do aviso não ter sido repassado antecipadamente e aproveita para comentar a importância da comunicação prévia das atividades a serem realizadas, para que dessa forma todos os estudantes pudessem participar da reunião e que assim não houvessem interferências significativas no cronograma de aula a ser cumprido. Percebendo a presença de poucas pessoas em sala, Babi acrescenta que a frequência dos alunos será registrada normalmente, mesmo com o acontecimento da reunião dos estudantes, afirmando também que as pessoas que chegarem após o horário de 18h20min deverão justificar seu atraso. Babi explica também que a aula não irá estender-se muito por conta da reunião, e pergunta se alguém dentre os presentes gostaria de registrar as presenças, no que Maria Júlia atenciosamente se propõe a fazê-lo.
Após essas considerações iniciais, Babi abre os trabalhos fazendo um comentário geral sobre o texto a ser apresentado no seminário, apontando para a riqueza de questões que a temática da metodologia traz para as discussões no âmbito da produção acadêmica. Afirma que o papel central da metodologia inclui, mas não se resume à meros procedimentos a serem realizados, e ilustra esse aspecto trazendo-nos a ideia de que determinado conhecimento reflete uma visão de mundo, citando como exemplo o contexto lingüístico da língua alemã, que reflete toda uma peculiaridade no processo formação de frases e palavras. Em seguida, procede-se à leitura do relatório da aula anterior, feito pelos alunos Paulo Roberto e Vanessa, e após ouvirmos atentamente os conteúdos apresentados, Babi pergunta a todos se o relatório contempla satisfatoriamente os acontecimentos da última aula. Hanna demonstra sua opinião afir-mando a qualidade do trabalho dos colegas, uma vez que o mesmo lhe proporcionou uma viva lembrança da aula anterior. Babi fala que há uma palavra que deve ser modificada no relatório, solicitando que a expressão “indústria automobilística” seja trocada por “indústria cultural”, relembrando a influência exercida por esta última nos nossos gostos musicais. Comenta também que em épocas atuais, perdemos a capacidade de perceber as coisas com a clareza necessária que uma postura crítica exige e que devemos continuamente exercitar a humildade. Conclui dizendo que está satisfeito com o relatório e após esse momento, relembra da discussão prevista a respeito das temáticas referentes ao estruturalismo e pós-estruturalismo. No entanto, fala que a mesma ficará para a próxima aula por conta do tempo limitado. Assim sendo, convida a equipe, composta pelas alunas Jane, Lívia e Lycélia a iniciar o seminário com a apresentação do texto de Bruyne et al (1986), intitulado Dinâmica da pesquisa em ciências sociais.
Após a apresentação da equipe, Babi nos convida a conversarmos sobre o seminário. Inicialmente, comenta a respeito do número reduzido de pessoas com o texto em mãos e pergunta se todos os presentes receberam o fichamento textual. Percebendo que apenas quatro alunos leram o texto proposto, Babi chama a atenção para o fato de que o processo de aprendizagem e construção de conhecimento na disciplina é prejudicado por conta de aspectos com esse, solicitando um maior comprometimento dos alunos. Em seguida, abre a discussão perguntando se alguém dentre os ouvintes do seminário tem alguma consideração ou pergunta a fazer à equipe. George comenta a respeito do conceito de “redução fenomenológica” presente no texto, apontando a importância da compreensão satisfatória de conceitos como esse para o entendimento da própria postura do pesquisador enquanto sujeito do conhecimento. Babi direciona sua fala em relação à natureza complexa do texto, que quando lido nos frustra e dessa forma nos convida a aprofundarmos as ideias trazidas dentro do mesmo.
A partir dessa consideração, Babi fala que precisamos adquirir uma atitude criativa diante das frustrações e que, por isso mesmo, o texto foi proposto de maneira proposital para que os estudantes e especialmente a equipe se sentissem desafiados a explorar os conteúdos trazidos pelos autores. Babi lembra então da relação com o conhecimento no âmbito escolar e no acadêmico, sendo que neste, somos convidados ininterruptamente a exercer a autonomia. Lembra-nos igualmente a respeito dos créditos práticos da disciplina, que existem justamente para fomentar a prática autônoma dos estudantes, e nesse processo, o professor contribui para a formação do aluno apenas como um orientador deste no processo de construção do conhecimento. Nesse sentido, Babi fala
que a qualidade da intervenção na aula depende diretamente da leitura prévia do texto e, respondendo a uma crítica da aluna Lívia no seminário, que disse sentir falta de uma maior explicação sua a respeito de alguns termos dos textos, comenta que a função do professor proporciona um “correr riscos”, uma vez que essa função nem sempre agrada a todos e que, por essa razão, deve-se ter a humildade de não querer agradar sempre. Abre um espaço para dizer que, na disciplina, forma seus alunos com o intuito de levar estes a perceberem que precisam da metodologia para experimentarem o conhecimento. Desse modo, Babi pede à turma para que sempre o ajude a exercitar a sinceridade e a contribuir da melhor forma possível na formação de todos.Lívia comenta então respondendo que o que a motiva como estudante é o fato de não saber de tudo, e fala que Babi tem muito a ensiná-la nesse processo, pois considera que é frustrante ter uma dúvida e o professor pedir para pesquisar. Afirma que em situações como essa, deseja ouvir a visão do professor a respeito do assunto e não de ferramentas de pesquisa. Babi explica que sua fala é sempre no sentido de proporcionar autonomia aos estudantes e não distanciar-se diante das solicitações dos mesmos.
Babi retorna ao texto dizendo que o mesmo nos apresenta conceitos que exigem uma maior atenção do leitor e por isso mesmo, salienta a importância do seminário. A partir de uma dúvida surgida durante a apresentação, explica alguns conceitos referentes à dialética, afirmando que não é possível compreender o pensamento moderno sem antes compreendê-la, e que na universidade essa compreensão é essencial. Babi diz que a dialética não é positivista como uma receita de bolo para produzir conhecimento, e sim uma postura dentro do conhecimento da realidade e nesse exemplo cita conceitos de Marx e Hegel que ilustram a compreensão da dialética. Continua suas considerações afirmando que no contexto universitário, aquilo que define o papel do acadêmico é se este é sujeito produtor de conhecimento ou simples usuário do conhecimento produzido por outros. Essa é a diferença principal em relação ao contexto escolar. Para ilustrar seu comentário, Babi chama a atenção para a cultura das xérox, que evidencia diretamente esse distanciamento de uma postura autônoma do estudante diante do conhecimento.  Conclui os comentários sobre o texto explicando a evidencia que o mesmo aponta para a ideia de que o conhecimento nasce da vida concreta, onde a teoria leva à prática e essa leva a uma nova elaboração teórica. Fala que a negação como parte da dialética é condição para caminhar para o momento seguinte, e que a mesma dialética não tem a ver com uma compreensão abstrata das coisas. Em seguida, convida a todos para a avaliação do seminário.
George inicia parabenizando a equipe pela qualidade do fichamento, pelo fato de que este proporcionou uma melhor sistematização dos conteúdos do texto. André parabeniza igualmente as colegas pela ousadia e coragem de estarem apresentando o seminário, demonstrando seu reconhecimento pessoal de que nem sempre tem o domínio e a segurança necessária para apresentar conteúdos quando solicitados em seminários. Babi fala que ao longo de seus 30 anos de vida acadêmica viu várias situações embaraçosas em seminários e diz que, em momentos de apresentação, nós não devemos mostrar nossas fragilidades, ou seja, não devemos falar de conceitos que não compreendemos, e sim, trabalhar em cima daquilo que foi compreendido. Fala também que um seminário só alcança seus objetivos quando há coesão da equipe e atenta para o uso da expressão “nós” pelos seminaristas. Andressa comenta que a equipe não usou apresentação de slides e isso ajudou a evitar uma postura de “seminário clássico”. Babi, ao avaliar, salienta que no dia da apresentação deve-se chegar à tempo para as demais organizações, e cita que existem culturais que exigem da pontualidade. Por fim, parabeniza a equipe e afirma que está satisfeito com o trabalho apresentado, convidando a todos a examinar as suas considerações feitas ao longo da aula. Sem mais atividades, finalizamos a aula mais cedo por conta da reunião com os estudantes a respeito do S.P.A.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Relatório de 18 de março de 2011

Por Paulo Roberto e Vanessa




Demos início à aula às 18:22 com o professor Babi apontando para as conseqüências trágicas do carnaval. Citou o elevado número de mortes durante esse período e dos interesses da Indústria de bebidas nessa festa. Em seguida, comentou sobre as especificidades das ciências humanas e relembrou alguns aspectos dos primeiros seminários.
Hanna Graziely passa para a leitura do relatório da aula anterior. Babi abriu espaço para comentários, mas a turma permaneceu em silêncio. Após algum tempo, o professor ressaltou a importância de nos dedicarmos igualmente às atividades em que nos envolvemos. Solicitou que os relatórios fossem encaminhados com antecedência. Novamente voltou a atenção de todos para o relatório escrito por Graziely. George acrescenta a grande valia da leitura e do conteúdo do relatório de Hanna Graziely, parabenizando-a e explicitando que não esteve presente na aula passada.
Fonteles comenta o relatório de Graziely e aponta para o trecho onde está a palavra “Subjetivismo”, e explica que essa é uma categoria confusa, que se pretende fazer-se ciência e que também é feita dentro da academia sem pudor, nem rigor e contrapõe “subjetivismo” com “subjetividade”, acrescentando que esta ultima existe no plano da cultura, de forma que ao logo de sua vida o sujeito reinventa sua subjetividade enumeras vezes. Babi pergunta a Graziely se entendeu sua explicação na aula anterior, esta argumenta que escrever o relatório e ter uma maior atenção na explicação se tornava difícil, daí a importância de haver dois relatores, informa Babi, despois da releitura de alguns trechos do relatório apresentando, Babi convida Hanna para que refaça especificamente o referido trecho, e se propõe a ajudar caso seja necessário. Babi sugere que outro trecho seja modificado, depois das considerações do anterior, que Hanna informe em seu relatório o motivo pelo qual a aula foi encerrada uma hora antes, motivo apontando por Vicente André, que explica que não houve intervalo.
            Fonteles pergunta qual o sentido dessas sugestões para Hanna. Fabrício fala da importância de haver essa complementação da visão do outro. Thamila Cristina acrescenta que essa complementação, poderia ser feita de maneira reservada, de modo que não causasse constrangimentos. Babi argumenta que é importância de avaliar os produtos dos alunos e não os próprios alunos. Acrescenta ainda que cada um ocupa uma posição, e fala sobre o significado da palavra aluno, que vem do latim que quer dizer “sem luz”, e ressalta que ensinar e aprender não são um constrangimento, e sim de intervir de uma forma que não seja agressiva e ofensiva, já que não há uma ligação com os valores e a conduta, mas sim de um produto. Thamila Cristina fala poeticamente que os caminhos da aprendizagem podem ter diversos caminhos, e que algumas formas de ensinar devem ser repensadas e fala de medo, quando se expressa uma opinião, já que não se sabe o que vira da posição do outro. Babi fala que entende a posição de Thamila, e já esteve nessa posição e que já viu muitas coisas, e fala de respeito, acrescentando que espera não ter sido desrespeitoso com o relatório, mas que é preciso fazer intervenções para que haja aprendizado. Paulo Roberto expressa seu sentimento de “inquietação” com o discurso dos dois personagens que ali se mostravam e elogia a postura da turma, assim como a de Thamila Cristina, apontando para sua importância
Passado esse momento o professor esclarece que os alunos que faltarem no dia da apresentação de algum trabalho, sem avisar anteriormente, terá 70% da nota. Caso avisem com antecedência ocorre apenas um remanejamento no cronograma. Lívia discorda dessa idéia, frente à imprevisibilidade de faltar à aula. Babi fala do manual do estudante e dos direitos e deveres que tanto professor como alunos tem. E pergunta se mais alguém tem alguma consideração.
Fonteles pergunta o nome da nova aluna da turma, que se apresenta como Flávia Martins. Ele a recomenda que peça ao Franklin a lista atualizada dos alunos matriculados na disciplina, para que possa acrescentá-la nas atividades propostas.
Ocorreu então a apresentação do seminário sobre o texto O método das ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa de Alves-Mazzotti por Vanessa, Paulo Roberto, Martonio e George. Logo após, Babi pergunta a turma se há questionamentos sobre o conteúdo apresentado, Thamila Cristina pergunta qual a diferença entre a Teoria Critica e Pós- estruturalismo. Babi sugere que a equipe pesquise sobre o assunto, acrescentando que para se entender Pós-estruturalismo, deve-se antes entender o que foi o estruturalismo. Relembrou uma fala sua de aulas passadas, que coisa mais parecida com escola é Igreja; mais parecida com religião é ciência. Falou que a educação básica está muito precária. E que antes havia uma preocupação e valorização maior com ela, citando a existência do canto orfeônico. Declarou que a educação hoje está vinculada a interesses de terceiros.
 Fonteles considera que nossa formação deveria ter um contato mais íntimo com a Arte, e fala principalmente da música com essa função, e aponta que hoje as classes abastadas não têm uma formação musical, de forma que a própria educação destes sujeitos está comprometida. Livia Neves discorda e argumenta que acha complexo analisar a educação e formação dessas pessoas através de seu gosto musical, se colocando como exemplo. Babi esclarece que fala de curriculum, e lembra que a formação musical era obrigação no colégio Sobralense, por exemplo, e nas escolas públicas e que depois da ditadura militar e de um complexo contexto sócio cultural e da ação da indústria cultural essa situação mudou.
As músicas que se ouvem atualmente fazem apologia a agressão e desqualificação das mulheres e homossexuais, por exemplo, e ressalta que uma sociedade que aceita esse tipo de manifestação, é uma sociedade que “involuiu” para a barbárie e lembra-se dos índios americanos que tinham a preocupação sobre o que aconteceriam com as suas futuras gerações. Atitude que também deveria ser tomada pela sociedade atual, aponta ainda para os dados alarmantes de agressão contra mulheres em Sobral, que é quatro vezes maior do que as estatísticas de Fortaleza. E nos convida a pensar que tipo de música é essa que leva a um estilo de vida de violência ao outro. Maria Júlia argumenta que o que se escuta na cidade de Sobral, também se escuta na capital. Babi afirma que isso é uma questão a se pensar, a se examinar e que daria uma ótima pesquisa de conclusão de curso. George falou que a apresentação do seminário desafia a uma maior compreensão do texto. Martonio declara que o texto é bem complexo e cheio de minúcias.
Babi começa a avaliação do seminário e elogia a apresentação. Ressalta que o fichamento foi sintético, que a equipe demonstrou ter se preparado, estudado e passou segurança. Criticou a falta de fichamento para todos os alunos presentes. Paulo Roberto justificou o corrido e Babi encarregou à equipe de surprir os faltosos.
Sobre a apresentação Babi falou que o Power Point poderia ter sido dispensado, pois em algumas partes estava sendo usado para roteiro. Falou também sobre a saída de algumas pessoas durante a apresentação e que isso não deveria ocorrer. Agradeceu a equipe do seminário e a relatora e pediu aplausos para ambos.
Babi então fez modificações no cronograma da disciplina, encaixando Flávia e Shyrlane nas datas das apresentações. Sem mais considerações a aula foi encerrada mais cedo pelo fato de não ter dito intervalo. 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Relatório de 04 de março de 2011

Por Hanna


          Damos início a aula com o professor solicitando as cadeiras em formato de meio círculos. Pela ausência de alguns colegas, devido a aula ter sido numa véspera de feriado, o diálogo começou, porém breve, abrindo espaço a valorização da vida sobre  nós mesmos. Em seguida, a dupla responsável (Thamila e Maria Júlia) para relatar a aula anterior se prontificou a expor os principais acontecimentos dos quais deram ênfase no primeiro dia de aula. Maria Júlia leu com certa rapidez ao que tinha naquele relatório. Babi percebeu o descompasso entre a mistura da delicadeza e rapidez. Entretanto, Paulo Roberto contribuiu com as melhores perspectivas do conteúdo colhido pelas colegas na aula anterior. João Felipe também enfatizou a linguagem formal posto no relatório. Babi fala que além de uma linguagem formal, aquele relatório continha algo a mais: poesia. Esta que é para além da formalidade é a forma mais perfeita para o conhecimento amplo. Thamila lembrou de um relatório feito por Tais Ziegler o qual trazia a combinação entre a poesia e um relatório da aula anterior.
A roda de conversa foi abrindo espaço para o debate sobre a poesia e a rigidez da formalidade. Há quem pensasse que a poesia é, ou pelo menos, deve ser, sempre contraposto às agendas e aos calendários oficiais. Mas desta vez não. No que nos parece insolúvel ou assunto do destino, se torna possível. Babi destaca mais uma vez o poder das palavras. E aproveitando o enlace, relembra o blog criado para a disciplina pelo Martônio para registrar nossas atividades realizadas e criações.
Alguns reajustes foram feitos e logo em seguida o seminário sobre o texto “Metodologia Qualitativa” de Ana Flávia Madureira o qual foi exposto pela equipe da Franci Iria, Hanna Graziely, Maria Júlia e Thamila Cristina. As estudantes utilizaram de recursos áudio-visual além de trabalharem em conjunto com o fichamento de transcrição. Logo em seguida, segue com as perguntas sobre o seminário do qual ocorreu. Gabriela inicia o debate com suas perguntas sobre positivismo do qual propusesse um subjetivismo. Babi aponta para o "Subjetivismo" como um desses modismos que são usados, inclusive no meio acadêmico, de forma que até mesmo alguns pesquisadores usam essa categoria de forma confusa, sendo essa portando uma categoria que se pretende fazer ciência, o próprio nome "subjetivismo" é uma palavra para designar algo que é usado de forma a mostrar uma crítica.
Babi, contudo, relembra o discurso da Thamila sobre singularidade em sua apresentação. Fabrício contribui com sua pergunta sobre um possível qualitativismo.
Na segunda apresentação pela equipe de Adriane Cisne, Gabriela Maria e Jéssica Tarcylla as estudantes trabalharam com o texto sobre “Quantitativo-Qualitativo: Oposição ou Complementaridade?” de Minayo e Sanches através do fichamento de transcrição.
Depois das apresentações, o debate reinicia. Babi revela a optativa “Cultura e Subjetividade” que ele ofertará. Lembra de sua época do doutorado e traz outro conceito de subjetividade, que possui uma ordem social, fundamentalmente. E responde que não há qualitativismo na pesquisa qualitativa (pergunta feita por Fabrício) e singularidade transcende o individual, o particular. Martônio fala sobre a representatividade. Babi relembra, do seu doutorado, a farinhada para os Tremembés de Almofala e a construção da jangada feita com a “enchó” durante suas observações.
Para finalizar a aula, a qual terminou mais cedo, pois não houve intervalo, Babi parabeniza as equipes que apresentaram, mostrando positividade com tais apresentações.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Relatório de 18 de fevereiro de 2011

Por Maju e Thamila


             A primeira aula do semestre de Métodos e Técnicas em Pesquisa Qualitativa abriu-se entre os passos apressados daqueles que adentravam a sala e os carinhosos olhares de boa noite, receptivos para mais um encontro. O professor Babi chegou à sala, cumprimentou os que ali estavam e entre os arranjos no material áudio-visual sugeriu que acomodássemos melhor as cadeiras, que estavam enfileiradas metodicamente pelos arredores da sala, de modo que o ambiente ficasse mais aconchegante. Após esse movimento inicial de disposição das cadeiras em semicírculos e de um saudoso boa noite de boas vindas do professor, demos início aos propósitos da disciplina. Babi convidou a turma para uma cordial apresentação, visto que alguns alunos não haviam participado da disciplina de Metodologia do Trabalho Acadêmico ministrada por ele anteriormente. Assim nos dispomos, após a apresentação inicial do próprio Babi, dando seguimento as apresentações.
           
Após as apresentações de todos os estudantes, o professor provocou à turma sobre qual nome dava título àquela disciplina. Após a resposta dos estudantes ele instigou ainda mais a sala a respeito das conclusões que poderíamos obter ao refletir sobre o referente título e quais as particularidades da pesquisa qualitativa em relação à quantitativa, estudada no semestre anterior com facilitação da professora Érica Atem.  Após um tempo generoso de silêncio, Kércio se colocou e abriu a discussão a respeito do tema. Babi anotou no computador as considerações e contribuições de todos os estudantes que se posicionaram e em cima de cada colocação expôs as querelas da Pesquisa qualitativa e suas nuances na produção científica, em detrimento das outras formas de produzir conhecimento.

Esse momento inicial a respeito da Pesquisa qualitativa e de suas implicações no conhecimento científico se estendeu durante um largo tempo até que de forma integrada Babi apresentou o plano de ensino da disciplina e as objetivações que conferem esse percurso. A turma acompanhou, a partir da leitura conjunta com o professor, o plano de ensino e todas as implicações do documento para os encontros dos próximos meses. Foram relatados a Justificativa, os objetivos, os métodos avaliativos, a bibliografia a ser utilizada. Babi esclareceu as dúvidas e convocou a turma para se sentir integrante desse processo, acendendo espaço para ideias, sugestões e novos ajustes.Após essa explanação tivemos uma pausa para intervalo.

Na volta do intervalo, Babi convidou a turma para delinear o cronograma da disciplina. O professor trouxe os horários e datas determinadas,mas construiu com o auxílio da turma o calendário referente às avaliações (apresentações dos seminários, relatórios em dupla e apresentações do projeto de pesquisa no encontro científico que a disciplina promoverá no final da disciplina). Nesse momento toda a turma dispôs as atenções para o ajuste das equipes e para os cronogramas solicitados.

Após revisto os prazos, as datas e ajustes concernentes ao cronograma da disciplina, Babi reservou um momento para solucionar as questões da turma referentes ao processo avaliativo, tão como solucionou dúvidas relacionadas às normas científicas, vestuário para apresentação dos seminários, formalidades comum à técnica, tempo previsto para as apresentações etc. O professor suscitou a classe para possíveis apontamentos e sugeriu que as duplas encarregadas pelo relatório semanal se propusessem a disponibilizá-lo pelo menos um dia antes da aula, recordando sobre a importância estética e ortográfica do relatório. Babi também discorreu sobre a importância dos projetos de pesquisa e sobre a relevância da produção de um bom projeto. Ele incentivou os estudantes a dedicarem tempo e afeto nesses projetos e justificou o motivo de utilizá-lo como uma das formas avaliativas da disciplina. Como ação da disciplina, Babi sugeriu que criássemos um blog, uma ferramenta de exposição para os trabalhos apresentados na disciplina e importante artifício de interação e diálogos dentro da conjectura acadêmica. Como resolutiva Martônio ficou encarregado de criar o blog e alimentá-lo com nossas futuras produções.

Por conseguinte Babi apresentou os textos que serão utilizados na disciplina e encaminhou os respectivos para a xerox da Psicologia, assim como recomendou para turma a leitura dos textos a serem utilizados na aula seguinte: Metodologia Qualitativa, da Ana Flávia do Amaral Madureira e Caderno de Saúde Pública, da Maria Cecília Minayo e Odécio Sanches.

Novamente o professor acendeu a turma para questões finais e como não havia tais demandas ele se encaminhou para o encerramento da aula.